19 junho 2009

Antiácido

Hoje eu acordei muito feliz. Assim que sai da cama estuprei minha mãe que ainda estava deitada, provavelmente sonhando com os planos para o final de semana. É importante notar que a peguei na posição papai-mamãe, mas fora o trocadilho, facilitou o acesso à jugular. Nada como uma boa trepada pela manhã.

Botei os pés na rua e acendi um cigarro, com um fósforo. Ao dobrar duas esquinas já tinha decidido que as pessoas se dividem entre quem tem belos narizes, e quem não tem. Não estou falando em tom figurativo, falo da plástica mesmo. Aqueles que não possuem belos narizes empinados e finos jamais o terão, bem como estes jamais chegarão perto da determinação de um nariz batatudo e caído. Cirurgia alguma consegue tirar o nariz da alma.

Assim que entrei na farmácia encontrei um velho amigo. Enfim, com o espetáculo da exibição de seus dentes perolados de merda, minha pequena mão ossuda encaixou o tendão do dedo anelar bem no dente da frente direito. Montei em cima e só parei depois dele.

- Me veja um antiácido.

Trabalho.

- Hoje é o dia do quorum do sexo e da violência! – gritou Felipinho.

A pior versão da loira dos olhos azuis peidou duas vezes à vontade, do meu lado. Almoço tardio. Sem fome. Rua. Pessoas.

- Olá.
- Boa tarde, rapaz. Um café com conhaque e três torrões de açúcar?
- É.
- Você não enjoa de comer a mesma coisa todos os dias?
- Só quando não posso comer o que quero.